Joy Freitas: Cinquenta Tons de Cinza




Cinquenta Tons de Cinza

por Joy Freitas

Depois de muito resistir aos apelos mercadológicos da trilogia Cinquenta Tons, acabei cedendo aos apelos e encarando a leitura do primeiro volume meio desconfiada, mas logo depois fui fisgada pelos segundo e terceiro.

Confesso que apesar de muito 'ouvir falar', nunca tinha lido nenhuma resenha sobre o livro, pois costumo criar antipatia a modismos e nem me interessei em me informar. Ainda bem, pois essa distância me permitiu compor uma opinião desvinculada de qualquer comentário tendencioso ou preconceituoso.

Vamos a minha opinião!
Acho honestamente que existem muitas pessoas, criticando sem saber, apenas pelo que ouviram dizer e/ou levando a sério demais uma história de ficção a ponto de ficarem indignados, mais precisamente indignadas, já que o público em sua maioria é feminino, sem concluírem a leitura. Eu penso que: se não concluiu a leitura, como pode ter uma opinião respeitável sobre o tema? Melhor se omitir, nesses casos.

A princípio, trata-se da história de um cara bonito, sedutor e poderoso (não apenas pelo dinheiro que tem, mas pela capacidade de liderança, sedução e persuasão) que se interessa por uma mocinha aparentemente pouco atraente e que a faz acreditar que é bom se permitir ser domada ou dominada por ele. E essa impressão inicial é o que gera grande repulsa de algumas pessoas, mulheres principalmente, que se apegam as questões físicas e brutais relatadas na história, para avaliar a relação como algo constrangedor e imoral para o ego feminino.

Quem teve a curiosidade de ir até o final (dos 3 volumes, claro), sabe que no decorrer da história muita coisa muda e o cara que tinha tudo para parecer carrasco e vilão, mostra-se frágil, inseguro e cheio de traumas. Ela por sua vez, que poderia ser a boba e iludida garota inexperiente, demonstra a força e vitalidade que existe em toda mulher. Invertendo muitas vezes o papel de Dominador x Submissa. 

Independente de qualquer julgamento, eles vivem a história deles da forma que os dois se permitem, da forma que o amor deveria ser visto pelas pessoas, de forma a não se importar com o olhar alheio. Não são os rótulos e padrões de estilo de vida que interessam nessa história. Se enxergarmos com olhos de amor, percebemos o quanto um proporciona ao outro a possibilidade de entrega e crescimento emocional. Duas pessoas completamente diferentes que descobrem uma na outra, o equilíbrio.

Ele que poderia ser visto como um homem repugnante se mostra totalmente dependente do amor que sente por ela, a ponto dela se tornar a cura de todos os males que o afligiam. E ela que não acreditava em si própria, ao tornar-se uma suposta submissa percebe a força e poder que possui como mulher, através do domínio e força que seu amor exerce sobre ele.

Eu acredito que a história ganhou força pois acho que a grande maioria das mulheres preferem um homem que tenha atitudes e comportamento de mentor, protetor ou dominador, do que um homem "carneirinho", submisso e dependente, que agem com suas parceiras como se elas fossem suas mães substitutas. 
Por mais avançadas e moderninhas que tenhamos nos tornado ao longo dos anos, acredito que a grande parte das mulheres querem ser independentes e donas do próprio nariz SIM, mas também querem ter um homem que seja mais forte que ela a ponto de "salvá-la" "resgatá-la" "apoiá-la" nas mais diferentes situações, inclusive na sua busca pela independência... essas coisas que os contos de fadas antigos ou modernos, vão colocando na nossa cabeça, mas que no fundo nos revela que é mais fácil se apaixonar por um herói do que escolher o fracote que vai correr pra barra da saia da mãe na primeira crise que aparecer. 


As formas de demonstrar esse comportamento é que vai variar para cada estilo de vida. A mocinha não é forçada a nada, ela é conduzida, porque assim se permitiu. E se permitiu justamente porque se sentiu seduzida pela curiosidade, arrogância e aparente domínio que o Sedutor/Dominador exerceu sobre ela. Apesar de todo excesso no comportamento "deturpado" que o galã possui, ele acaba se mostrando um especialista em satisfazer sonhos e desejos de toda mulher. Eu diria que, excluindo as partes sado-masoquistas (gosto não se discute) presentes no seu comportamento transtornado, todo homem inteligente deveria ler e aprender muito sobre seduzir e conquistar uma mulher com o galante Christian Grey.


Quanto ao teor erótico da história, depois do segundo volume, eu li um comentário que dizia: "se não fossem as descrições detalhadas dos atos sexuais, a história toda caberia em um só volume"
Eu concordo e acho que o detalhamento é extremamente repetitivo, mas talvez seja por isso que as pessoas se sentem tão apegadas quando estão lendo e não desgrudam do livro. Afinal, emoções não devem ser economizadas. Se não fossem minuciosamente detalhadas não seriam emoções, e sim fórmulas matemáticas.



Comentários do facebook
3 Comentários do Blogger

3 comentários:

  1. Joy, ainda não li a trilogia más confesso que depois de ler seu comentário fiquei muitíssimo tentado a entrar nessa aventura.. Concordo plenamente com você com relação a postura do homem em sua relação com o mundo a sua volta e com a mulher amada. Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Ricardo, fico feliz com a boa influência.
      Espero que goste!

      Excluir
  2. Querida, tô com Ricardo!Quanto ao texto,PERFEITO!!!!

    ResponderExcluir

Sua opinião me interessa! Obrigada!



Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *