Joy Freitas: Artistas Feirenses




Artistas Feirenses

por Joy Freitas


A partir da avaliação da Micareta de Feira por parte do jornalista Edilson Veloso, gerou-se uma discursão muito pertinente sobre o tratamento que os artistas feirenses recebem em sua própria cidade.
Inspirada pelo assunto resolvi deixar registrado aqui minha opinião a esse respeito, ratificando o que já escrevi em comentários no facebook.

A falta de respeito com os artistas feirenses é uma humilhação. Na última hora, ainda na semana da festa, eles nem ao menos têm certeza do dia e horário que se apresentarão. Nem mesmo se serão realmente contratados. É um completo descaso. 
Como então se programar? Como contratar transporte? Como captar patrocínio? Como agendar outros shows em outros locais? Para responder qualquer uma dessas perguntas seria necessário no mínimo a assinatura de contrato com antecedência e comprometimento de dia e horário. 

Uma observação interessante é que um dos problemas esteja na falta de união e comportamento profissional dos artistas que não procuram se impor e cobrar um cachê e tratamento mais justo.
Eu acredito que enquanto muitos se submeterem a tocar a qualquer preço com o argumento de "mostrar o trabalho" isso nunca mudará. Penso também que não seja um problema pontual, apenas na Micareta, isso ocorre o ano inteiro. Nos bares, eventos particulares, festas públicas... sempre tem uma banda ou músico que aceita qualquer trocado para fazer o seu trabalho, e aqueles que fazem um trabalho sério e comprometido, quando cobram seu preço justo, ficam para trás. 
Músico é profissão, todo show tem custo e todo trabalho é para ser remunerado!
Parece que na ânsia de serem vistos, muitos esquecem disso.

Acho até compreensível essa busca pela divulgação do trabalho, já que no meio artístico a necessidade de exibição é algo mais incisivo, mais urgente e necessário que em outras profissões chamadas de "formais". 
É muito mais simples para um Administrador, um Advogado etc, comprovar sua competência com cursos, experiências, referências. E o artista? Tem que "fazer ao vivo", ter agenda cheia, público, pessoas atestando que já viram, ouviram, tudo isso construído de pouco em pouco. 

Para completar, as atividades artísticas são vistas como divertidas, como hobby, como um trabalho mais prazeroso e por isso talvez seja mais difícil ser reconhecido por muitos como um TRABALHO de verdade. Talvez por essa razão, contratantes acham-se no direito de pagar pouco. E por que agiriam de outra forma se até a própria família costuma agir assim? Quantos pais de artistas cobram que os mesmos procurem um trabalho de verdade? São séculos de tratamento pejorativo para ser modificado, isso sim!
Ainda assim, a discussão é válida, indispensável e urgente. É preciso atitude e paciência dos interessados.

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