Joy Freitas: Nosso Axé!




Nosso Axé!


por Joy Freitas

Sou uma admiradora assumida dos Anos 80, quem me conhece sabe, pois sempre converso sobre isso quando tenho oportunidade. Acredito que a melhor época de produção musical que se tem registro no Brasil e no mundo é a década de 80, em todos os estilos musicais.
E sendo admiradora dessa época, tão rica em boas letras, melodias e ideologia, evidente que tenho dificuldade em aceitar qualquer produção que fique aquém disso.

Não quero bancar a saudosista e invocar que devemos viver de passado, mas quero voltar a esse assunto dessa vez para falar sobre a música baiana.
Estive observando a transmissão do Carnaval de Salvador pela TV e como sempre acontece, vejo os grandes artistas, fazendo releituras e relembrando sucessos daquela época, de quando surgiu o gênero musical apelidado de axé music.
Geralmente artistas já consagrados com carreiras sólidas, com sucessos atuais tão bons quanto os antigos, mas que por competência artística e respeito as raízes, nunca deixam de tocar certos sucessos que se tornaram clássicos e que encantam o público todas as vezes que são tocados, porque sua qualidade não ficou restrita a uma estação climática.

São músicas que pela sua qualidade instrumental e poética, permaneceram vivas nas memórias e na emoção das pessoas que gostam do Carnaval Baiano. Por isso todas as vezes que são tocadas as pessoas ficam em êxtase, se animam, pulam ,dançam, cantam juntos, fazem espetáculos nas ruas, reagindo aos comandos dos bons animadores de trio elétrico.

Qual folião de carnaval e micaretas, não se empolga quando escuta alguém tocar sucessos como:

“Ah, que bom você chegou, bem vindo a Salvador, coração do Brasil...
vem você vai conhecer, a cidade de luz e prazer, correndo atrás do trio...”
(We Are Carnaval )

“Ah, imagina só, que loucura essa mistura. 
Alegria alegria é o estado que chamamos Bahia. 
De todos os cantos, encantos e axé, o baiano é Carnaval...”
(Chame Gente)

“Força e pudor, liberdade ao povo do pelô...
mãe que é mãe no parto sente dor. E lá vou eu.
Declaro a nação, pelourinho contra a prostituição,
faz protesto manifestação...e lá vou eu”
(Protesto Olodum)

“Já pintou verão, calor no coração, a festa vai começar...
Salvador se agita, numa só alegria, eternos Dodô e Osmar. 
Na Avenida Sete, da paz eu sou tiete (...)
Eu vou, atrás do trio elétrico vou (...)
Eu queria, que essa fantasia fosse eterna,
quem sabe um dia a paz vence a guerra”
(Baianidade  Nagô)

“Meu amor, olha só hoje o Sol não apareceu...
é fim da aventura humana na terra.
Meu planeta Deus, fugiremos nós dois na arca de Noé...
Olha bem meu amor, é o final da odisséia terrestre.
Sou Adão e você será, minha pequena Eva.
O nosso amor na última astronave, além do infinito eu vou voar, sozinho com você”
(Eva)

“Jogou sua rede, oh pescador.
Se encantou com a beleza desse lindo mar. 
Dois de fevereiro é dia de Yemanjá,
levo-te oferendas para lhe ofertar.
E sem idolatria Olodum seguirá,
é como dizia Caymmi, insigne o homem cantando a encantar”
(Canto ao Pescador)

“Quando eu te vejo paro logo em seu olhar,
o meu desejo é que eu possa te beijar...
sentir teu corpo me abrigar em seu calor,
hoje o que eu quero é ganhar o seu amor...”
(Vem Meu Amor)

“Pra te espiar, eu dou a volta no seu muro,
eu pulo seu muro... pra te encontrar,
eu dou a volta no seu mundo, eu mudo seu mundo...”
(Selva Branca)

“No céu azul, destino das estrelas,
onde o vento sentiu a cor.
A vida, bota pra ferver.
Sabor de mel, tempero de perfume, sou louco por você.
Mas vida, bota pra ferver...”
(Bota Pra Ferver)

O canto do negro veio lá do alto.
É belo como a íris dos olhos de Deus, de Deus.
E no repique, no batuque, no choque do aço.
Eu quero penetrar no laço afro que é meu, e seu.
Vem cantar meu povo, vem cantar você.
Bate os pés no chão moçada. E diz que é do ilê a yê...”
(Pérola Negra)

"Eu te quero só pra mim,
você mora em meu coração.
Não me deixe só aqui,
Esperando mais um verão..."
(Mimar Você)

Poderia passar dias sem fim aqui, relembrando ótimas músicas, e ainda assim seria impossível contemplar todos os ótimos artistas que nós temos, são apenas exemplos que por enquanto bastam. Como se pode perceber, ao contrário do que muitos críticos e outras pessoas desinformadas que torcem o nariz para a música baiana diz, o “axé music” não é um gênero musical baseado em “iê, iê, iê” ou “iô, iô, iô” com bordões simples para um bando de alienados pularem atrás de um caminhão (um caminhão, diga-se de passagem, muito rentável, criativo e espetacular que ninguém faz melhor que nós baianos, por isso todos alugam os nossos)

A história da nossa música está cheia de canções belíssimas feitas por compositores cultos e inteligentes que falam sobre amor, paz, cultura, política e fatos históricos. Cabe a quem critica livrar-se do preconceito tão característico em nosso povo, parar de assistir só o que está na moda, reativar a memória para os sucessos antigos e também para bandas atuais que fazem sim alguns hits animadores com refrões de efeito pra agitar o público, mas que também mantém a qualidade de músicas que são feitas para ouvir, para pensar, para declarar amor, para pedir paz, para cultuar a alegria, não somente para pular como alguns rotulam.








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