Joy Freitas: Janeiro 2010




A Idade de Ser Feliz



"Existe somente uma idade para a gente ser feliz.

Somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los, a despeito de todas as dificuldade e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores.

Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo novo, de novo e de novo, e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE, também conhecida como AGORA ou JÁ e tem a duração do instante que passa... "

(Mário Quintana)



O Quase (Luís Fernando Veríssimo)


Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece
que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão;
pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque,embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Adoro esse texto. Sou fã do Luís Fernando Veríssimo... com sua forma inteligente, pessoal, perspicaz, elegante, engraçada e também sedutora de escrever. ESPETACULAR!!!




Quando vier a primavera!


"Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é."
(Fernando Pessoa)


Registrado na agenda em 12 de Março de 1994, com uma flor desenhada a mão parecida com essa. (aos 14 anos)

A primeira vez... ou quase!


Sempre tive vontade de criar um blog... e criei muitas vezes, e desfiz todas elas...
Sempre me cobrando que não adiantava ter um blog sem a alimentação diária de idéias q valessem a pena... e desisti por muito tempo.
Recentemente, num curto espaço de tempo q estive “offline” involuntariamente, peguei-me relendo e redescobrindo minhas agendas/diários de vários anos da minha vida... percebi neles q a necessidade de escrever pensamentos, idéias, experiências, poemas e músicas mesmo sendo de outros autores sempre esteve presente em minha vida.
Enfim, estou aqui mais uma vez criando um blog... com a intenção inicial de registrar virtualmente os textos, poemas e músicas que encontrei escritos em meus diários, que são lindos e nem eu mesmo lembrava dos mesmos. Sem nenhuma pretensão de substituir um diário, discutir assuntos polêmicos ou comentar crises existenciais... Trata-se apenas de uma reflexão pessoal e intimista... sem o objetivo de popularidade ou divulgação, apesar de blog ser algo público... porém, essa foi a ferramenta mais prática no momento que encontrei de manter vivos esses registros q fiz no passado... e que contribuiram para formação da pessoa que sou hoje.

Boa Noite!



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